quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

"Viver é fazer uma viagem"


Mínima Theologica de Leonardo Boff

 Os antigos já diziam:”vivere navigare est” quer dizer, “viver é fazer uma viagem”, curta para alguns, longa para outros. Toda viagem comporta riscos, temores e esperanças. Mas o barco é sempre atraído por um porto que o espera lá no outro lado.

Parte o barco mar adentro. Os familiares e amigos da praia acenam e o acompanham. E ele vai lentamente se distanciando. No começo é bem visível. Mas na medida em que segue seu rumo parece aos olhos cada vez menor. No fim é apenas um ponto. Um pouco mais e mais um pouco desaparece no horizonte. Todos dizem: Pronto! Partiu!

Não foi tragado pelo mar. Ele está lá, embora não seja mais visível. E segue seu rumo.

O barco não foi feito para ficar ancorado e seguro na praia. Mas para navegar, enfrentar ondas, vencê-las e chegar ao destino.

Os que ficaram na praia não rezam: Senhor, livra-os das ondas perigosas, mas dê-lhe, Senhor, coragem para enfrenta-las e ser mais forte que elas.

O importante é saber que do outro lado há um porto seguro. Ele está sendo esperado. O barco está se aproximando. No começo é apenas um ponto levemente acima do mar. Na medida em que se aproxima é visto cada vez maior. E quando chega, é admirado em toda a sua dimensão.

Os do porto dizem: Pronto! Chegou! E vão ao encontro do passageiro, o abraçam e o beijam. E se alegram porque fez uma travessia feliz. Não perguntam pelos temores que teve nem pelos riscos que quase o afogaram. O importante é que chegou apesar de todas as aflições. Chegou ao porto feliz.

Assim é com todos os que morrem. O decisivo não é sob que condições partiram e saíram deste mar da vida, mas como chegaram e o fato de que finalmente chegaram. E quando chegam, caem, bem-aventurados, nos braços de Deus-Pai-e-Mãe de infinita bondade para o abraço infinito da paz. Ele os esperava com saudades, pois são seus filhos e filhas queridos navegando fora de casa.

Tudo passou. Já não precisam mais navegar, enfrentar ondas e vencê-las. Alegram-se por estarem em casa, no Reino da vida sem fim. E assim viverão para sempre pelos séculos dos séculos.

Leonardo Boff

 

domingo, 27 de janeiro de 2013

Aleluia


= Igual =


 

Todos somos iguais em tempo e condições diferentes, amorosamente programadas pela consciência suprema de Deus, de forma a que, o comportamento reactivo a essas diferenças seja pedra angular da pirâmide desenhada pelo nosso caminhar evolutivo individual.

Condição ainda enraizada em muitas mentes, a de que idade, tipo, grau académico, e outras, são barreiras de separação social, afectiva, ou profissional.

São estas as mentes que por via educacional, gerem as suas posturas comportamentais pela falácia ilusória “das diferenças”.

Por norma, estes seres transportam em si mesmos uma enorme carga de inferioridade e baixa auto-estima que projectam nos outros sob a forma da separabilidade calculada, expressa por uma arrogância saturada da mais profunda ignorância acerca do Plano Superior da Vida e da Consciência Cósmica.

São apoiados nos seus devaneios por outra profunda brecha, que é a crise de reais valores da sociedade actual, aqui e agora, onde vigoram critérios vazios de humanitarismo, orlados de preconceitos arcaicos, de uma subserviência recalcada por décadas de obscurantismo, e medo.

Nestas formas de estar e agir, é comum a proliferação dos estropiados morais, dos exangues espirituais, dado que o facilitismo gerado por um falso poder os torna vítimas de um materialismo endeusado, que secciona o que não pode ser separado: a dimensão humana e a dimensão espiritual.

Os limitadíssimos conhecimentos intelectuais e técnicos, (direccionados para a robotização profissional) que preenchem um CV académico, (ainda que na sua mais alta expressão) são apenas uma gota de água nos vastos oceanos cósmicos, onde todos podem beber.

A cultura expande-se num leque infinito cuja função é a complementação da teoria, da experiência, das muitas culturas que compõem o nosso mundo físico e metafísico.

Por vezes, as demonstrações destes medos inculcados por ecos familiares ou psicóticos são tão subtis, que os próprios não se reconhecem na militância das crenças da superioridade social.

 As diferenças físicas são a complementaridade pela aceitação - são a expansão dos limitados e esclavagistas critérios que bloquearam as nossas mentes pequenas. São ainda o prenúncio das extraordinárias diferenças dos milhões de formas de vida do Cosmos com que nos iremos defrontar.

Queridos amigos, nada existe por si, e para si! Tudo o que existe tem como função primordial a espiral evolutiva, e esta, apenas se pode concretizar em todas as acções da nossa vida pela complementaridade dos sentires, das formas, dos saberes de cada Ser que connosco se cruza, pois na total harmonia cósmica não existem superiores, inferiores, diferenciados, diminuídos… nem acasos…

Que o despertar se torne integral e integrativo, pela amorosa compreensão e aceitação da essência divina em tudo, em todos.

 

 

A.

 

 

 

Anjos, sempre os Anjos


Queixamo-nos...


Queixamo-nos com razão dos mercados, da ganância das corporações, dos bancos e do capitalismo. Mas com muito maior razão nos queixaríamos de termos necessidades mínimas e vivermos com desejos máximos. É isso que cria, alimenta e reproduz os mercados, as corporações, os bancos e o capitalismo. São eles que a exploram, por via do marketing e da publicidade, mas a ganância é nossa. Vivamos com o mínimo: seremos livres e este sistema ruirá, incluindo a política que o serve. Vivamos com o mínimo, sobretudo com o mínimo de ego, se possível sem nenhum, e descobriremos a Plenitude que desde sempre nos habita.

 

Paulo Borges (presidente da União Budista Portuguesa)

 

 

 

Para além da mente racional


PARA ALÉM DA MENTE RACIONAL

 

A maioria das pessoas passa a vida inteira aprisionada dentro dos limites dos próprios pensamentos; não ultrapassando uma estreita e individualizada consciência do eu, produzida pela mente e condicionada pelo passado.

Como em todos os seres humanos, existe dentro de si uma dimensão de consciência muito mais profunda do que o pensamento. É a própria essência da sua identidade. Podemos entendê-la como uma presença, perceção ou consciência não-condicionada.

(…) A descoberta daquela dimensão liberta-o, e liberta o mundo do sofrimento que inflige a si próprio e aos outros sempre que não vê outra coisa a não ser o “ pequeno eu, “ construído pela mente que governa a sua vida. O amor, a alegria, a criatividade e a paz interior duradoura só poderão ser vividos através da consciência não-condicionada.

Se for capaz de reconhecer, mesmo ocasionalmente, que os pensamentos que atravessam a sua mente são apenas pensamentos; se conseguir aperceber-se dos seus próprios padrões de reação mental e emocional à medida que eles ocorrem, tal significa que aquela dimensão já está a emergir de dentro de si como sendo a consciência onde os pensamentos e as emoções acontecem – o espaço interior intemporal onde o conteúdo da sua vida se manifesta.

Por vezes, podemos ser facilmente arrastados pela força da corrente do pensamento. Isto acontece porque todos os pensamentos julgam que são muito importantes e querem captar totalmente a nossa atenção.

Pratique um novo exercício espiritual: não leve os seus pensamentos muito a sério.

É muito fácil uma pessoa ficar encarcerada nas suas próprias prisões conceptuais.

Na ânsia de conhecer, de entender e controlar, a mente humana confunde as suas opiniões e pontos de vista com a verdade. Afirma: isto é assim. Teremos de ser mais abrangentes do que o pensamento para percebermos que qualquer interpretação que se tenha sobre a “ nossa vida “ ou a vida e o comportamento dos outros, qualquer juízo que se faça sobre uma situação não é mais do que um ponto de vista, uma de muitas perspectivas possíveis. (…) A realidade é um todo uno, onde todas as coisas estão entrelaçadas, onde nada existe em si e por si mesmo. Porém, o pensamento fragmenta a realidade – retalha-a em mil e um pedaços conceptuais.

A mente racional pode ser um instrumento útil e extraordinário, mas também limitativo quando se apodera completamente da vida e o impede de ver que a mente não passa de um aspecto diminuto da consciência que nós somos.

A sabedoria não é um produto do pensamento. É um conhecimento profundo que advém do simples gesto de se dar toda a atenção a alguém ou a alguma coisa. A atenção é a inteligência primordial, a própria consciência. Derruba as barreiras criadas pelo pensamento conceptual e, assim, surge o reconhecimento de que nada existe em si e por si mesmo. Reúne aquele que percebe e aquilo que é percebido, o sujeito e o objecto de conhecimento, num campo unificado de consciência, curando essa separação.

Sempre que nos enredamos em pensamentos compulsivos, estamos a evitar aquilo que é, a realidade tal como ela é. Não queremos estar onde estamos. Aqui, agora.

(…) Tal não significa abdicar de pensar, mas simplesmente não se identificar completamente com o pensamento nem ser dominado por ele.

Sinta a energia no interior do seu corpo. Quando o faz, o ruído mental abranda ou cessa de imediato. Sinta a energia nas suas mãos, nos pés, no abdómen, no peito.

Deste modo, o corpo torna-se uma porta de entrada, por assim dizer, para uma sensação de energia vital mais profunda, subjacente aos pensamentos e às emoções inconstantes.

(…) Porém, enquanto nos encontramos nesse estado, o pensamento racional não desaparece, continua disponível se for necessário para algum propósito prático. A mente mantém a capacidade de funcionar, e funciona perfeitamente quando é utilizada e se manifesta através da inteligência superior que nós somos.

(…) Nada disto é significativo para a mente, uma vez que ela tem coisas “ mais importantes “ em que pensar. Também não é algo que a mente memorize.

(…) O domínio de qualquer área em que nos empenhemos – a criação artística, o desporto, a dança, o ensino, a terapia – implica que a mente racional esteja posta de parte no assunto ou pelo menos esteja em segundo plano. Um poder e uma inteligência superiores, contudo, formando connosco uma Unidade, tomam conta da situação. Deixa de haver um processo de decisão; a ação acertada acontece espontaneamente. E não somos “ nós “ que comandamos. Dominar a vida é o oposto de controlar. (…) Significa associarmo-nos à consciência superior.

 

Eckhart Tolle

domingo, 20 de janeiro de 2013

Ehyeh Asher Ehyeh










 
 
 
 
 
 
 Eu Sou o Que Eu Sou
 
 
 
 

Um clássico...Desiderata


DESIDERATA - MAX EHRMANN


Viva tranquilamente, por entre a pressa e os ruídos, e lembre-se de quanta paz há no silêncio. Tanto quanto possível, sem se render, esteja em bons termos com as pessoas.

Diga sua verdade calma e claramente, e ouça os outros, mesmo os mais medíocres e ignorantes – eles também têm a sua história
Evite as pessoas espalhafatosas e agressivas, pois essas são um insulto ao espírito. Não se compare com os outros, para não se tornar vaidoso ou amargo, e saiba: sempre haverá pessoas melhores e piores que você. Desfrute tanto de suas realizações quanto de seus planos.

Cultive seu trabalho, mesmo que ele seja humilde; esse é um bem real, frente às variações da sorte. Seja cauteloso em seus negócios, pois o mundo é cheio de armadilhas. Mas não deixe que isso o torne cego para a virtude, que esta sempre presente está; muitas pessoas lutam por ideais nobres e, por toda a parte, a vida é sempre exemplo de heroísmo.

Seja sempre você mesmo. E sobretudo nunca finja afeição. Nem seja cínico em relação ao amor, pois, apesar de toda a aridez e desencanto, ele é tão perene quanto a relva.
Aceite serenamente os ensinamentos do passar dos anos, renunciando suavemente àquilo que pertence à juventude. Fortaleça seu espírito para que ele possa protegê-lo diante de uma súbita infelicidade. Não antecipe sofrimentos pois muitos temores são apenas fruto do cansaço e da solidão. Mesmo seguindo uma disciplina rigorosa, seja leniente consigo.

Você é filho do Universo, tanto quanto as árvores e as estrelas; e tem o direito de estar aqui. E mesmo que isso não seja muito claro para você, não tenha dúvida de que o Universo segue na direção certa.

Portanto, esteja em paz com DEUS, não importa a maneira como você O concebe, e sejam quais forem as suas lutas e aspirações, na terrível confusão que é a vida, fique em paz com sua alma.
Pois, apesar de toda a falsidade e sonhos desfeitos, este ainda é um lindo mundo. Seja cauteloso. Lute para ser feliz.

 
* Max Ehrmann, poeta e advogado escreveu este texto em 1927.

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quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

E ainda...a Liberdade


 

 

O Peso da Liberdade

 

"Aquilo que não é consequência de uma escolha não pode ser considerado nem mérito nem fracasso", a leveza decorre de uma vida levada sob o teto da liberdade descomprometida, no entanto, a leveza despe a vida de seu sentido. O peso do comprometimento é uma âncora

que finca a vida a uma razão de ser, qualquer uma que se constrói .

 

(Milan Kundera) em A Insustentável Leveza do Ser

 

São muitas as ocasiões em que referimos a “liberdade”, seja numa vertente ético-social, seja na vertente dos relacionamentos, ou nas escolhas pessoais, que no cômputo da vida acabam interligadas.

Quiçá possamos hoje, dirigir a nossa reflexão para o autêntico conceito da liberdade, além do corrente, que é liderado normalmente por critérios de pouca duração, que se geram no interesse momentâneo e individual.

Mais ainda, colocar estacas de sustentação à nossa definição de liberdade e ao “peso” da mesma.

Inseridos que somos numa sociedade com direitos e deveres, (estes quase sempre esquecidos) devemos constituir um Código de Honra da Liberdade, cujo lema fundamental seria:

                                                                                                                              

“A nossa liberdade confina, na fronteira onde começa a liberdade do outro”

 

A construção da liberdade é individual. As suas fundações são a veracidade, o humanismo, o respeito. Já a expressão da mesma, só pode ser vivida onde não exista o medo, e onde prevaleçam a educação, a cultura, e o conhecimento metafísico. Sem estas pedras basilares, não é possível conhecer o rosto da plena e verídica liberdade.

 

- Liberdade, é o dizer não à invasão da informação manipulada e manipulativa (quase toda ela) que invade os lares, que desestrutura as mentes em formação, que inocula os venenos do consumismo, e estabelece uma urdidura ao critério individual (robotização)

- Liberdade, é o reconhecimento dessa mesma manipulação pelas substâncias viciantes, e negar-se a ser mais um número nas estatísticas que somam poder, ao poder dos monopólios do tabaco, da droga, dos fármacos.

- Liberdade, é a percepção genuína e aplicada na interacção do dia-a-dia, da valorização do ser humano pelo que ele é, e não pelo que ele tem.

- Liberdade, é o auto-conhecimento aprimorado, de forma, a que cada um perceba que tem na sua vida o que ele próprio criou, e de que nada nem ninguém nos pode dar, ou tirar, a liberdade consciencial.

- Liberdade, é a responsabilidade lúcida de cada atitude para com o nosso crescimento individual, e de que este, se entretece com todos os que nos rodeiam.

 

Nos países onde se pratica o sistema político chamado democracia, a responsabilidade individual é maior, dado que esta contém a ferramenta primária que permite ao ser humano a escolha, real, dos caminhos vivenciais. Mas constatamos que essa pseudo-liberdade facultada pela democracia, foi desvirtuada, pois nunca como hoje as pessoas se deixam conduzir, sem vislumbres de vontade, por poderes instituídos, os visíveis, e os invisíveis.

Outro aspecto onde o substantivo liberdade é frequentemente utilizado, é no plano dos relacionamentos afectivos. Este tornou-se salvo-conduto de vivências saturadas e desgastadas onde a frontalidade das decisões é adiada e disfarçada pela falta dessa mesma liberdade.

Tornou-se assim argumento sem conteúdo, justificativo medíocre de atitudes que possam lesar os compromissos da alma.

Os compromissos não são pesos nem sentenças “sine die”, são o coagulante das razões do existir… podem a todo momento serem revistos, finalizados, acrescidos, transmutados, enquadrados na senda individual, pelo usufruto duma verídica liberdade. Também neste campo:

- Liberdade, é não seguir a corrente instalada na madraça acomodada, nos modismos, na libertinagem (muito confundida com liberdade).

 - Liberdade, é a lucidez de contornar o flerte ocasional, carícia do ego vaidoso e decadente, que empobrece a promissora luz de cada um.

- Liberdade, é a nobre coragem de olhar o compromisso pela sua melhor vertente e dele fazer estrela presente, ou cadente, mas sempre, com a gratidão amorosa para com os passos que nos transportaram nas sendas da vida.

- Liberdade, é também a renúncia, (em qualquer vertente), escolha consciente da alma, em prol do bem comum… este, é o mais sublime acto de liberdade.

 

Que a Paz esteja em nós, como a liberdade e o desprendimento estão numa avezinha do Céu.

 

 

A.