A Meditação e a Saúde
por Carlos Amaral
Facilmente entendível, as impurezas físicas
nas nossas células têm o seu equivalente na mente. Por outras palavras, o
temor, a raiva, a avidez, a compulsividade, o ciúme, a dúvida, e outras emoções
negativas, são impurezas psíquicas que intoxicam a mente e turvam a nossa
postura interna e externa, endógena e exógenamente, afectando a nossa vida e a
nossa auto-realização a todos os níveis. Quando operando a nível quântico, a
nível energético, essas “toxinas” podem ser mais destrutivas do que qualquer
toxina química. Como bem poder-se-á imaginar, a ligação mente/corpo transforma
atitudes negativas em toxinas químicas, isto é, nas chamadas “hormonas do
stress” que têm sido relacionadas a tantas patologias.
As muitas técnicas de meditação são praticadas há milhares de anos.
Inicialmente, o seu objectivo era ajudar as pessoas a aprofundar o seu
conhecimento sobre as “forças sagradas e místicas” da vida. Ainda, para muita
gente, a meditação continua sendo uma prática espiritual e religiosa. As
variações da prática de meditação estão presentes em todas as religiões do
mundo. Mas, felizmente, para um crescente número de pessoas a meditação serve
para “limpar” a mente e focar a atenção no momento.
A meditação é uma prática da Medicina Complementar e Integrativa, que se
encaixa na categoria de técnicas do corpo e da mente. Este tipo de terapia –
reforça a comunicação entre o corpo, a mente e a psique. Há diferentes
“caminhos” para a meditação. Geralmente, quando o indivíduo está meditando,
está concentrado. O foco da sua concentração pode ser qualquer coisa – um
objecto, um som, ou mesmo, a sua própria respiração. A meta da meditação é, sem
sombra de dúvida, o enfoque da atenção naquele particular momento, tirando as
preocupações da mente.
A meditação não é usada no lugar
das terapias tradicionais, como os medicamentos que qualquer médico prescreve.
Ao contrário, dever-se-á utilizá-la como complemento de outros tratamentos. A
meditação também pode ser usada por pessoas com perfeita saúde, como meio de
reduzir o stress do dia-a-dia e todos os transtornos provocados pelo mesmo, tal
como o envelhecimento precoce.
O “Departamento de Ciências Psiquiátricas e do Comportamento” da Universidade
de Emory, em Atlanta – Estado Unidos da América, tem desenvolvido nas últimas
décadas um intenso e rigoroso estudo sobre a Meditação e a Saúde, tendo chegado
à conclusão que uma boa prática de meditação diária, sob a superintendência de
pessoa devidamente habilitada e com muita experiência, pode grandemente
beneficiar a saúde no seu todo, desde reduzir o stress diário até ao
melhoramento da função cognitiva dos indivíduos de todas as idades. Nestes
estudos, examinaram in loco como a prática regular da meditação afecta
positivamente o normal declínio da zona cinzenta do cérebro relacionado com a
idade. Assim, esse importante departamento de investigação concluiu, que a
regular prática diária da meditação tem efeitos neuro-protectores e pode
reduzir a decadência cognitiva associada com o envelhecimento normal. Para além
desta excepcional conclusão científica, verificaram outras importantes
preponderâncias na saúde, tais como: na hipertensão arterial, na
hipercolesteremia, na ansiedade, na depressão (tanto endógena quanto exógena),
em algumas patologias cardiovasculares, nas alergias, na asma, nas dores
crónicas, nas artrites, entre tantas outras deficiências de saúde.
Ditosamente, aos poucos a prática da meditação tem sido mais
divulgada hoje em dia, até pelos colegas alopatas é muito mais conhecida e
adoptada. Lembro que, há vinte e oito anos atrás, quando comecei a minha
prática profissional em Portugal, precisamente aqui nos Açores, tudo sobre esta
matéria era desconhecido e até repelido como algo “demoníaco”... Enfim, coisas
de outros tempos e de outras mentalidades! Mas, apesar da moderna e positiva
atitude para com a sua prática, mesmo na área terapêutica, e além de fazer
parte da humanidade há séculos, ainda hoje em dia encontramos muitas pessoas
que por falta de informação adequada deixam de beneficiar desta maravilhosa
técnica milenar.
Realmente, não podemos negar que o mundo hoje invade o nosso quotidiano e até
mesmo os nossos momentos de descanso e satisfação com pressões que se acumulam
todos os dias e a todas as horas, tumultuando a nossa mente, tornando assim
cada vez mais difícil retorcer para dentro de nós mesmos e visualizar as causas
das nossas angústias. Também, sabemos que as respostas para a maioria das
nossas perguntas estão dentro de nós, mas as pessoas insistem em buscar as respostas
adequadas fora delas, demorando cada vez mais para se encontrarem. E a
meditação é um dos caminhos para esse “encontro” com nós mesmos. A prática
diária da meditação ajuda-nos a limpar a mente, ampliando a capacidade de
lembrança, proporcionando prodigiosos insights que podem ajudar a resolver
muitos problemas que parecem não ter solução. E tudo começa com o fechar dos
olhos, ou então, deixá-los semi-cerrados, relaxando os músculos, tranquilizando
a respiração. Como poderão verificar, tão simples e tão poderoso! Contudo,
algumas pessoas que eu bem conheço, e outras tais que nunca se acercaram,
alegam que não meditam por falta de tempo, mas se precisam ir consultar o
médico, conseguem logo um tempinho, depois mais outro tempinho para irem à
farmácia comprar os remédios, que quase sempre são paliativos, quando possuem
um recurso poderoso, que só depende delas e ainda assim, vão tão longe... Mas
isso faz-nos reflectir o quanto essa questão está totalmente relacionada com a
falta de confiança em si mesmo. É preciso quanto antes reflectir sobre este tão
importante assunto!
Bem Hajam!
O Autor:
Carlos Amaral, Venerável Lama Khetsung Gyaltsen
Mestre
em Naturopatia;Especializado em Medicina Ortomolecular; Medicina Homeopática;
Medicina Homotoxicológica; Medicina Ayurvédica e Tibetana;Doutorado em
Religiões comparadas e em Metafísica;Investigador em Psicologia Transpessoal
& Regressão Memorial;Professor de Budismo, Meditação Tibetana, Raja-Yoga,
Kryia-Yoga e Karma-Yoga; Autor e Palestrante.